terça-feira, 3 de agosto de 2010

Espelho


Sonhei teus sonhos

E teu pranto também chorei

Tuas lagrimas foram as minhas

Que nos mesmo chão derramei.

Também senti teu medo

E da tua solidão compartilhei

Cantei também sozinho

E sozinho também me calei.

Senti tuas mãos frias

Doloridas pelo teu fardo

E gritei teu silencio

Com lábios secos e fechados.

Senti também teu abraço

Em meus trêmulos braços senti

E tua mascara foi a minha

A mesma que no espelho vi cair.



Vinicius D. Souza

Dois de mim


E eu que tinha tudo

Hoje sou mudo

Sou cego sou surdo

Mendigo no mundo.

E eu que era lúcido

Hoje sou poeta

Sou louco sou lúdico

Sou puro.

E eu que era um

Hoje sou muitos

Sou dor sou amor

Sou nada sou absoluto.

E eu que era alegria

Era vida

Hoje sou lagrimas

Sem palavras e sem rimas.

E eu sem rimas durmo

E me curo

Enquanto outro de mim vive de novo.

E eu que era tudo

Hoje sou mudo...


Vinicius D. Souza

Horizonte


A invisível magia

Se fez sentida novamente

E tua ausência

Nunca fora tão presente.

Nossas faltas tão perdidas

São como livros na estante

Empoeirados de dor

Tão reais e tão distantes.

Nossas saudades

Que o vento levou com as lagrimas

Tornaram-se horizontes

Em nossas almas.

Cada olhar tão brando

Tão azul

São como o céu que tu és

Cada vida folhada

É como um pôr-do-sol

Tão lindo

Mas que vai embora

Para que sempre haja

Um novo renascer...


Vinicius D. Souza


Corpo


Não tinha mãos

E mesmo assim pude tocar o vazio

Não tinha olhos

Mas com lagrimas transbordei rios.

Não tinha pés

E mesmo assim dancei tua canção

Não tinha braços

E mesmo assim abracei tua solidão.

Não tinha alma

E mesmo assim dei-te mais que a minha vida

Não a tinha

E mesmo assim sempre te sentia.



Vinicius D. Souza